domingo, 11 de julho de 2010

"Quando a máscara cai" de Jorge Forbes: uma recomendação de leitura

O que leva heróis do futebol terminarem sua carreira numa delegacia de polícia?

Recomendo a leitura da crônica assinada por JORGE FORBES, publicada hoje, dia 11 de julho de 2010, no caderno Aliás do jornal O Estado de São Paulo. Cito um trecho do artigo:

"Meninos de hoje não choram mais nos ombros de seus ancestrais, meninos de hoje não têm ancestrais. A sociedade pós-moderna pulveriza as verticalidades e não provê acolhimento das angústias nas hierarquias verticais, nos mais velhos, nos mais experientes, nos que já passaram por isso. O resultado está aí: a série que deveria ser: descoberta, sucesso, fama, dinheiro, conforto e satisfação tem sido: descoberta, sucesso, fama, dinheiro, mulheres, drogas, violências, desastres, prisão ou ostracismo." Leia mais:
QUANDO A MÁSCARA CAI http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,quando-a-mascara-cai,579313,0.htm

3 comentários:

  1. De fato, o artigo é muito bom. Uma coisa que me chamou a atenção é que além de perdermos a verticalidade, também estamos perdendo a horizontalidade.

    Nunca o mundo esteve tão conectado como hoje em dia. É possível falar com pessoas em qualquer lugar do mundo. E por isso mesmo estamos trocando as mais próximas e pessoais pelas mais distantes e impessoais. Aquelas que são ótimas amigas, mas nunca próximas para oferecer um ombro no qual se possa chorar.

    E mesmo estando altamente conectados eletronicamente, nunca as pessoas estiveram mais desconectadas pessoalmente. Podemos falar com quem quisermos, mas raramente sentimos vontade de falar.

    Nossa racionalidade é tão exigida que demonstrar qualquer coisa além do estritamente racional e necessário é sinal de fraqueza. E ninguém quer demonstrar ser fraco. É a máscara novamente cumprindo seu papel.

    Ninguém quer demonstrar ser fraco mas somos todos humanos, e nossa estrutura emocional não é tão forte como pensamos.

    Dessa forma, isolados e vivendo uma ilusão, um dia a casa cai.

    E uma coisa que me ocorreu é que num mundo onde cada dia os laços que unem as pessoas ficam mais fracos... as pessoas, perdidas, sem orientação, em crise de identidade (especialmente as pessoas com muito sucesso e dinheiro onde toda relação parece motivada por interesse financeiro) buscam laços mais fortes... mais fortes que os normais. Como o caso dessa amizade, eternamente ligada por um crime.

    Claro, não precisamos chegar a tanto... Não é raro vermos pessoas ricas e/ou famosas dividindo entre si experiências não comuns... de cunho criminoso, sexual, ou o que quer que seja imbuído de forte energia psiquica. É a tentativa de celebrar um laço forte de maneira anti-natural e abusiva... Um laço que só a arte perdida da verdadeira amizade poderia forjar.

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  2. Ouvi na CBN nesta semana, uma entrevista em que não me recordo o nome das partes, que falava exatamente do que os clubes poderiam fazer pelos jogadores. Eu até acho que deveriam. Achei bem interessante a hipótese do clube colocar o jogador para participar de cursos voltados para a área financeira, que seria bastante útil para a tomada de decisões de seus investimentos. Diziam na entrevista que normalmente os jogadores depositam esse tipo de confiança nas mãos de parentes, de amigos que nada entendem de números, por serem considerados de confiança. A questão é que a impulsividade e o entusiasmo para lidar com o dinheiro acabam comprometendo todo o patrimônio. Sem um acompanhamento para este fim, e muito menos para ajudar a contornar as dificuldades quanto à imaturidade e descompensação da rotina a que se impõem de noitadas e rotatividade de mulheres - ao contrário deles, elas entendem muito bem de seus próprios fluxos de caixa - acaba por permitir ruir todo o império que só tenderia a se multiplicar. Benefício mútuo: quanto não agrega ao clube ter uma equipe coesa e profissionais mais estáveis e seguros? Olha quanto não se compromete em marketing, no cancelamento de produção de produtos com o nome dos ¨astros cadentes¨... prejuízo para todo mundo... para as famílias dos jogadores, para os descendentes, até para as instituições de caridade que muitos poderiam ajudar. Tudo por água abaixo... A estrutura pode ser bem melhor. Estes jogadores são realmente um bem, um patrimônio nosso, do nosso mundo esportivo. Precisamos da dedicação de tão capazes e dedicados componentes do show que tanto prende a nossa alegria e nossos corações. Eles precisam de assistência. Tudo isso vai parar partindo de um começo em que eles simplesmente nada entendem, nada sabem, não sabem o que fazem, não imaginam do que são capazes, nem do seu potencial físico, nem do seu potencial de destruição...

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  3. A internet nos conecta aos mais distantes, mas nos separa dos mais próximos.

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