“Amor e ódio”
Eles se amavam, um dia, a bela e a fera. Ela, uma moça na flor da idade, ele, um atleta de sucesso, um herói, exemplo para tantos jovens que sonham em vencer o jogo da vida. No entanto, o amor tem lá seu preço. Suas consequências pode ser uma gravidez, um filho, responsabilidades, separações, perturbações, brigas. E o amor, num piscar de olhos, pode tornar-se ódio de morte. O que era uma paixão virou escândalo. “Será que um amante é capaz de mandar abater sua amada feito um animal?” perguntamo-nos assustados ao assistir na televisão os relatos de mais um crime bárbaro que assombra o Brasil depois de sua saída da Copa do Mundo.
No noticiário apreendemos , quase que en passant, que todos os dias morrem entre 10 e 12 mulheres assassinadas pelos que, um dia, foram seus amantes. O que leva um homem a matar a mulher que já foi sua? Machismo, como quer a opinião popular? Psicopatia, como explicaria a psiquiatria forense? Miséria, como diriam os sociólogos? Falta de valores, como lamentariam os religiosos? Talvez...
O que choca, além da brutalidade desses crimes, é que o assassino, via de regra, é uma pessoa comum. Há anos, o psiquiatra e psicanalista Jorge Forbes tem abordado em inúmeras publicações o fenômeno da violência despropositada e desmedida, praticada por homens e mulheres. Pessoas aparentemente normais são capazes de passar por cima do que antes era sagrado: a vida da mãe, do pai, do filho. Há poucas décadas, a lei, a moral , o costume e o super-ego eram capazes de segurar as pessoas nos limites da lei do pai, do Estado, da religião. Hoje, diante de um mundo sem fronteiras e sem limites , no qual a figura paterna está perdendo terreno, as pessoas não se curvam mais com tanta facilidade diante das normas. O resultado é uma verdadeira epidemia, como diz Jorge Forbes em seu livro "Você quer o que deseja?" quando analisa a onda de parricídios, o seja, o assassinato de parentes, e a violência sem medida nas ruas.
Porque homens matam suas companheiras? É uma questão de poder masculino? Henrique VIII da Inglaterra mandava, no século XVI, para o cadafalso as mulheres que ele não amava mais. Ele era o rei, fazia suas leis e as executava. Essas mortes eram uma demonstração de ódio e de poder. Ou será que, no fundo, eram uma demonstração de medo do monarca diante de mulheres poderosas?
O jeito feminino sempre foi um segredo para os homens. Mulheres não se prestam à lógica masculina, não se submetem a suas ordens, não vestem seus uniformes. “O que quer a mulher?” até Sigmund Freud se perguntava. Para Jacques Lacan, cada mulher é diferente da outra, é diferente dos homens, este, sim, igual a seu semelhante. Uma mulher é "unheimlich", como se diz em alemão, “estranhamente familiar”. Ela assusta, amedronta. Muitos homens, paradoxalmente seus amantes, agridem mulheres , porque não sabem lidar com essa estranha diferença que uma mulher representa. Tentam educá-la, subjugá-la e acabam agredindo e, em casos extremos, matando. Fazem isso para livrar-se de um incômodo que uma mulher significa em suas vidas.
De alguns anos para cá, a legislação mudou. Delegacias especializadas foram criadas. A sociedade brasileira mobilizou-se para proteger as mulheres. Só que o braço forte da lei, numa sociedade cada vez mais globalizada e ilimitada, não basta para deter a violência. Cabe a cada um de nós responsabilizar-se. Responsabilidade vale, sobre tudo, nas questões do amor. Jacques Lacan criou muita polêmica , quando disse que homens e mulheres são tão radicalmente diferentes que nunca vão se entender. Ele expressou esse fato na palavra “a relação sexual não existe”. No entanto, Lacan nos diz que o amor é capaz de criar a ponte sobre o abismo entre um homem e uma mulher. Para a construção dessa ponte é necessária essa responsabilidade sem lei que se chama ética. Transformar um ex-amor em amizade, em solidariedade, não é algo que mandam os códigos , mas a convivência humana. Lamentavelmente, com o amor morto, abre-se o caminho do ódio, do amor às avessas, abre-se o chão e aparece o buraco da morte.
Bem, eu não sei muito sobre o jeito feminino. Mas quando você diz que as mulheres não se submetem e não vestem uniformes, eu fico pensando justamente no crime em si: ao que parece, são os homens que estão por aí matando, não vestindo uniformes sociais e/ou submetendo-se ao poder paternalista do estado. As mulheres, ao contrário, são mais submissas ao estado, a esse poder. Temos poucos casos do fenômeno reverso, comparativamente falando. E ao meu ver isso se dá única e exclusivamente devido a anos de cultura que incentivava a repressão feminina, que embora tenham-se ido, graças a deus, ainda deixaram marcas na psique feminina.
ResponderExcluirA sua pergunta final: "O que quer a mulher?" se revertida ainda sou enigmática: "O que quer o homem?". Grandes escandalos históricos se repetem justamente porque fraudes são perfeitamente executadas por homens que lançam uma cortina de fumaça para despistar seus verdadeiros intuitos.
Posso estar enganado, mas homens e mulheres são muito mais semelhantes que supomos. Acho que se não fosse a cultura querendo colocar cada um em caixinhas definidas, esse abismo existente hoje seria beeeeeem menor, senão nulo
Além disso é possível observar exatamente estes mesmos comportamentos de agressão, esses mesmos sentimentos de incompreensão em um relacionamento homossexual. Se eu fosse atribuir essa ameaça, esse fenômeno de "assustar", não atribuiria ao sexo feminino, mas à relação de amar. Amar assusta porque você se doa, se entrega nas mãos e coração de uma pessoa... você abre seu íntimo e expõe o que você tem de mais precioso. É natural ter medo de que uma pessoa, qualquer pessoa, homem ou mulher, machuque você quando está mais exposto e vulnerável.
Sinto muito por Eliza, por ela ter acreditado em cada sonho que ela sonhou só... por ter sido vítima dos próprios pais quando o papel deles era dar amor, carinho, e educar com seriedade, com responsabilidade (mãe abandona, pai acusado de estupro... minha nossa, que família!!), e por ter acreditado que era um caminho certo procurar por homens com popularidade, dinheiro e poder... enfrentar estas pessoas, expôr, intimar, e mostrar-se segura pela lei e pelo papel da polícia, foi ultrapassar uma margem que as mulheres precisam se preocupar em manter-se dentro. É preciso se reservar, se preservar. Ela foi traída pela sua própria fantasia e por sua vaidade. E que há de se falar então desdes monstros?... Vemos o tempo todo na tv. Não se fala em outra coisa... A vida está tão banalizada! Cada vez mais confio na minha própria companhia...e como diz uma grande amiga: ¨prefiro a companhia dos meus animais de estimação, do que do homem¨. Já ouvi de um amigo, que teria sido mais feliz cuidando de animais, do que cuidando de pessoas... porque as pessoas são falsas, enganam... As pessoas estão cada vez mais fechadas, desconfiadas... porque Eliza não foi capaz de temer a estas pessoas? Puxa, durante o desenrolar de toda essa história, pareceu tão evidente que ela já poderia ter visto que era uma fria!! Diga-se de passagem, é uma atrás da outra. Vejam o caso da Dra. Mércia. Será que estamos cada vez menos capazes de avaliarmos o nível das pessoas? Será que não temos como tomarmos precauções suficientes para nos preservarmos mais, evitarmos tanta exposição, tantos riscos? Depois de quanto tempo Eliza e Mércia estiveram em companhia destes homens para notarem que precisavam de distância absoluta? Deixassem a justiça tomar conta. Mas provocar, fazer o que não é o seu papel, foi suficiente para o fim. E estes garotos não conseguem viver sem uma boa noitada e um círculo incontrolável de mulheres? Vemos que existem garotas em busca de um jogador de futebol e uma boa pensão!!! Um roqueiro, um pagodeiro...fama e dinheiro são grandes atrativos para essas confusões... daí um jogador nervoso... amantes... e muita, muita sujeira em torno de tudo... coisas assim não acabam bem... não mesmo...
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